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A criação de lâminas voltadas às mulheres ajudou a criar um novo mercado para as marcas e a consolidar padrões estéticos que até hoje influenciam a relação feminina com o próprio corpo

Luana Giovannini
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Estudante de Jornalismo25 de Ago, 2026
3 min de leitura
Por volta de mil novecentos e quinze, nos Estados Unidos, surgiu uma estratégia de Marketing que visava expandir esse público-alvo e alcançar também as consumidoras mulheres. Foi lançado então o milady décolleté, uma lâmina feminina. Nos anos sessenta, noventa e oito por cento das estadunidenses já tinham aderido ao novo padrão.

Propaganda do Milady Decolleté Gillette, 1915. (Foto: Lucy Jane Santos/The Underpinnings Museum)
De acordo com a publicitária Júlia Nagle, o processo de indução e naturalização da depilação feminina no ocidente pode ter relação com uma característica comum da sociedade de consumidores. As empresas criam essas necessidades e oferecem um produto para solucionar um problema que eles mesmos inventaram. No caso dos pelos, esse novo produto no mercado acabou criando um novo padrão de beleza.
Já na visão da antropologia, a professora de ciências sociais da UFJF e especialista na área, Cristina Dias, afirma que o estabelecimento de padrões estéticos podem levar à ideia de um controle coercitivo sobre o corpo feminino. De acordo com a professora, “não seguir os padrões estéticos pode produzir mais vulnerabilidade” servindo inclusive como gatilho para produção de violências.

Milady Decolleté Gillette, 1915. (Foto: Ebay/Reprodução)
A estudante de cinema, Duda Guettnauer, diz que por saber das funções de proteção dos pelos, não se preocupa obsessivamente com a depilação, mas explica a sua visão sobre as diferentes formas em que a sociedade lida com o assunto através de um simples exemplo:
“Ninguém vai olhar o Tony Ramos e falar assim: ‘Nossa, você tem que se depilar’. É tipo, ‘oh, você é peludo’. Mas se for uma mulher com pelos, ela vai ser induzida a se depilar. Não vai ser só uma mulher peluda e está tudo bem.”
– Duda Guettnauer, estudante de cinema.
De acordo com um estudo do Instituto PiniOn, mais de noventa por cento das brasileiras depilam as axilas. O Brasil também possui uma das maiores frequências de depilação do mundo, com uma média de oito vezes ao mês. Mais do que uma escolha estética ou higiene, a depilação revela como padrões sociais e pressões de consumo influenciam a forma como enxergamos o próprio corpo e como seremos tratados pela sociedade.
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