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Compradores alegam que, assim que as vendas abriram, os ingressos já estavam esgotados.
18 de Nov, 2025 • 4 mêss atrás
A venda dos ingressos para o GP de Fórmula 1 no Brasil começou no dia 10/11 pela Porto Bank. Já neste primeiro dia de pré-venda, diversos fãs relataram que, assim que saíram da fila virtual para comprar os ingressos, todos já marcavam como indisponíveis. A segunda pré-venda aconteceu pela Amex, cartão de crédito da American Express, no dia 13/11, e os mesmos relatos foram feitos sobre os ingressos já estarem esgotados.
Muitos fãs ficaram confusos, já que, por se tratar de uma pré-venda, um número muito limitado de pessoas teria acesso à compra, e eles não entendiam como os ingressos esgotaram tão rápido.
Então, no dia 17/11, foi realizada a venda geral para todas as formas de pagamento, e foi quando o caos atingiu seu ápice. A venda foi liberada ao meio-dia em ponto, e às 12h00min15s diversas pessoas já relataram que os ingressos estavam esgotados.
No total, existiam 10 locais disponíveis para compra: os setores A, B, D, G, H, M, R, Orange Tree Club, Pitstop Club e Grand Prix Club. Em 5 minutos, não havia mais nenhum ingresso, até os mais caros, no valor de R$ 20.900,00, estavam indisponíveis.
Usuários no X relatam que, às 12h01, um minuto após o início das vendas, todas as meias-entradas do setor A já estavam esgotadas, incluindo meia idoso, meia aposentado, meia funcionário da escola estadual de São Paulo, meia jovem de baixa renda e a meia estudante regular, restando apenas o ingresso inteiro de R$ 1.590,00.
Sites como BuyTicket e outros locais de compra e venda de ingressos já estão com diversas pessoas revendendo entradas para o GP de São Paulo por preços muito mais altos do que estavam disponíveis mais cedo pelo site da Eventim. Na rede social X também já é possível encontrar diversas contas vendendo ingressos para o evento de 2026, mas a probabilidade de golpe é superior a 90%, uma vez que a compra oficial dos ingressos pode ser cancelada no site da Eventim em até 7 dias. Não há garantia de que, ao comprar ingressos de terceiros, eles não irão cancelar a compra, receber o dinheiro de volta e ainda lucrar às custas de fãs que pagaram por um ingresso que pode nem existir mais.
Gabriel Hunter, fã de Fórmula 1, tentou comprar ingressos este ano para ele e sua esposa. Na primeira tentativa, pela pré-venda da Amex, ele chegou a concluir a compra, até que a Eventim cancelou a transação duas vezes, sem fornecer qualquer explicação sobre o motivo.
“Tive a compra aprovada e cancelada duas vezes. A Eventim nem mesmo se manifestou. Ontem, ao entrar em contato com o Bradesco para outra demanda (banco responsável pelo Amex), comentei da situação e a atendente disse que a Eventim fez isso com milhares de outras pessoas, tornando a central um caos.”
Gabriel se juntou à esposa e ao cunhado para tentar novamente na venda geral. Estavam em três dispositivos e locais diferentes. Assim que as vendas foram abertas, às 12h02, os ingressos ainda apareciam como disponíveis, mas, no momento de finalizar a compra, surgia a mensagem de que estavam esgotados.
“É muito frustrante, pois é algo que a gente espera o ano todo, se programa e, no meu caso, em mais de uma tentativa, mesmo tendo acesso a uma pré-venda que ‘poucos’ têm, não consegui comprar. Inclusive, como minha esposa é PCD, meu tipo de ingresso seria meia PCD + acompanhante, o qual esgotou rapidamente da mesma forma, o que é instável e improvável, ao meu ver.”
Gabriel afirma esperar mais transparência da organização daqui para frente e que medidas legais sejam tomadas caso seja comprovado favorecimento ou fraude durante as vendas. Ao ser questionado sobre abrir uma reclamação formal contra a Eventim, ele respondeu:
“Sinceramente, acredito que não vá adiantar muito, pois, pelos relatos, há anos isso vem acontecendo e nada muda. Vi há pouco que a deputada Érika Hilton tomará providências. Espero que funcione, mas acho improvável.”
O mandato da Deputada Federal por São Paulo, Érika Hilton, recebeu diversas denúncias e solicitou que a Secretaria Nacional do Consumidor investigue o processo de vendas do GP de São Paulo.
Em publicação nas redes sociais, Érika escreveu:
“Não é normal que TODOS os ingressos de um evento que recebe, anualmente, um público de cerca de 300 mil pessoas estejam esgotados 7 MINUTOS depois do início das vendas, conforme apuração da imprensa.
Por isso, estou requerendo que sejam apuradas as possibilidades de que parte dos ingressos tenha sido reservada para cambistas, para plataformas digitais de revenda ou para a venda em futuros lotes ‘extraordinários’ mais caros.
Também estou solicitando que a Eventim seja questionada sobre quais métodos utiliza para proteger sua plataforma de bots de compras automatizadas e como são realizados os procedimentos de confirmação de identidade dos compradores.
E sim, meu mandato está investindo um pouco do seu tempo nisso. Pois recebemos essa demanda de parte da população e entendemos que é direito de todas as pessoas que elas comprem em condições justas, transparentes e funcionais.
Além disso, só entre 2022 e 2025, o setor de eventos recebeu cerca de R$ 60 BILHÕES de dinheiro público apenas com o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, o Perse, isso sem contar eventuais outros benefícios.
E o GP de São Paulo ocorre em Interlagos porque a Prefeitura de São Paulo PAGA por isso.
São cerca de 132 MILHÕES de reais por ano pagos à Fórmula 1, além do investimento de R$ 500 milhões feito pela prefeitura para requalificar o Autódromo de Interlagos.
Isso tudo é dinheiro PÚBLICO. Um setor que recebe tanto apoio do governo e da sociedade PRECISA se guiar pelas melhores práticas comerciais possíveis.”
A Eventim e a organização da F1 São Paulo ainda não se manifestaram sobre os acontecimentos.
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