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Imagem de capa da notícia: Pit stop mal-executado expõe pilotos da McLaren a duras críticas
AnáliseEsportes

Pit stop mal-executado expõe pilotos da McLaren a duras críticas

No último domingo, 7 de setembro, aconteceu o Grande Prêmio de Monza, onde a equipe líder do campeonato mundial cometeu mais um erro que prejudicou seus pilotos publicamente.

Foto de Thais Marques Hachul

Thais Marques HachulJornalista verificado

Bacharel em Jornalismo, Universidade Metodista de São Paulo

09 de Set, 2025

·

6 min de leitura

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Em uma rara mudança de cenário na temporada 2025, a McLaren não foi o carro mais dominante no Circuito de Monza, principalmente porque seu desempenho não é o melhor em pistas de longas retas. Ainda assim, a dupla da equipe largou em segundo e terceiro lugares e manteve essas posições durante quase toda a corrida, apesar das disputas entre Lando Norris e Max Verstappen, e Oscar Piastri e Charles Leclerc.

 

Ao longo da prova, Norris abriu uma vantagem de seis segundos sobre seu companheiro de equipe, Piastri, e conseguiu manter essa diferença até o momento do pit stop, quando tudo começou a desandar para ambos os pilotos.

 

Os pneus médios, que a Pirelli havia programado para durarem até a volta 28 no máximo, resistiram até a volta 40 (e em alguns casos até mais). A equipe papaya optou por manter seus dois pilotos na pista o maior tempo possível para realizar apenas uma parada, colocando pneus macios no fim. A ideia era aproveitar o aquecimento rápido e a maior aderência dos compostos, o que garantiria mais velocidade. A McLaren apostava na consistência de desempenho da dupla e também na possibilidade de um safety car, que poderia facilitar a corrida e até abrir caminho para uma vitória.

 

Mas a estratégia acabou se voltando contra a McLaren quando Leclerc foi chamado para o box pela Ferrari antes de Piastri. O monegasco estava em quarto lugar, e como o tempo médio perdido no pit lane, entre entrada, troca de pneus e saída, gira em torno de 20 segundos, com pneus novos já aquecidos as chances de Leclerc realizar um undercut e tirar o pódio de Piastri eram altas. Para se prevenir, a McLaren inverteu a ordem dos pits.

 

A equipe britânica segue uma regra clara: a preferência de pit stop é sempre do piloto que está à frente. Neste caso, Norris liderava em relação a Piastri e, portanto, deveria ter sido chamado primeiro ao box. No entanto, diante da ameaça real de Leclerc, a McLaren concluiu que seria melhor antecipar a parada de Piastri, garantindo, em teoria, que as posições não seriam alteradas na pista.

 

William Joseph, engenheiro de Norris, havia avisado sobre a parada de Leclerc, mas ressaltou que isso não mudaria a estratégia em andamento. E então, surgiu a seguinte situação:

WJ: Lando, o gap para Verstappen agora é de 11.1. Vamos para o box nesta volta para colocar pneus macios.

LN: Vocês não iam mandar o outro carro primeiro para o box?

WJ: Sim, vamos fazer isso. Vamos inverter a ordem, então continue na pista.

LN: Ok, mas só se ele [Piastri] não fizer o undercut. Se fizer, eu vou para o box primeiro.

WJ: Não haverá undercut. Confirmando: vamos continuar em pista.

LN: Ok, confirmado.

 

Na volta seguinte, Norris foi finalmente chamado para o box, mas a equipe executou uma troca de pneus desastrosa e extremamente lenta, com o carro parado por 5,9 segundos. Ao sair do pit lane, aconteceu justamente o que ele havia alertado e pedido para evitar: o undercut que o tirou da segunda posição, lugar em que permanecera durante toda a corrida.

 

Para tentar compensar o erro e cumprir a promessa feita a Norris, a McLaren ordenou a inversão de posições entre ele e Piastri, restabelecendo a ordem original antes da parada nos boxes. No entanto, Norris não solicitou a troca: ele permaneceu em silêncio no rádio após sair do pit lane. Mesmo quando seu engenheiro informou que a equipe devolveria a posição, o britânico se manteve calado até o fim da corrida.

 

Deixando o clima ainda mais constrangedor para ambos os pilotos, Tom Stellar, engenheiro de Piastri, trouxe à tona outra situação em que houve troca de posições na McLaren: o GP da Hungria de 2024. Na ocasião, um erro do pessoal do pit wall fez Norris ganhar tempo no box e retornar à frente de Piastri, abrindo oito segundos de vantagem. Mesmo assim, a equipe ordenou que Norris cedesse a posição, abrindo mão da vitória para que Piastri cruzasse a linha de chegada em primeiro.

 

TS: Oscar, isso é como na Hungria no ano passado. Nós mandamos vocês para o box nessa ordem por razões de equipe. Por favor, deixe o Lando passar e depois vocês estarão livres para correr.

OP: Assim… a gente sempre disse que um pit stop lento faz parte da corrida. Eu não entendo o que mudou aqui. Mas, se vocês realmente querem isso, então eu vou fazer.

TS: Vamos seguir a estratégia sete. Sugiro que o deixe passar na curva 1. Deixe-o passar na curva 1. É igual à Hungria no ano passado. Eu sei que é doloroso, mas ainda faltam cinco voltas.

TS: Obrigado, Oscar. Você está livre para correr. Tranquilo, mantenha a cabeça fria, cara.

 

William Joseph também deu a mesma instrução a Norris, informando que ele estava livre para correr. Com as posições restabelecidas, restavam cinco voltas para os dois pilotos disputarem o segundo lugar. Mesmo dentro da zona de DRS de Norris, Piastri não conseguiu concretizar a ultrapassagem, e o britânico acabou abrindo 1,5 segundo de vantagem. Assim, a corrida terminou exatamente na mesma ordem em que havia começado.

 

O público fez duras críticas em relação à situação, não contra a McLaren, responsável pelo erro que criou todo o cenário, mas sim contra os pilotos. Tanto Norris quanto Piastri se pronunciaram à mídia: Piastri afirmou que a decisão foi a coisa certa a se fazer e que a culpa não era de Norris. Já o britânico reforçou que tudo se tratava de um erro da equipe, e não dele, muito menos de seu companheiro.

 

Mesmo diante dos ataques sofridos por seus pilotos, em especial Norris, que chegou a receber mensagens de ódio e até desejos de morte em seu último post no Instagram, a McLaren mantém a narrativa de que tudo está sob controle, alegando que seus pilotos são maduros e sabem lidar com esse tipo de situação. Além disso, a equipe não se pronunciou sobre a onda de ataques online, limitando-se a bloquear usuários que criticam o erro no pit stop e pedem um posicionamento oficial.

 

Este incidente causado pela McLaren é apenas mais um na lista de momentos decisivos ignorados pela equipe, enquanto os pilotos seguem expostos a ataques online. Assim como em outras ocasiões, pit stops lentos, problemas de bateria nos carros e até o abandono de Norris na semana passada, que até agora não recebeu uma explicação concreta sobre a falha mecânica específica, o erro de estratégia em Monza apenas se soma à lista de deslizes sem resposta clara da equipe.

 

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