Na oitava aventura de Cormoran Strike e Robin Ellacott, os detetives precisam identificar o corpo no cofre da loja que foi encontrada no cofre da loja maçônica, enquanto Strike luta com uma pergunta que ele vem evitando desde o segundo livro: quando revelar que é apaixonado por sua parceira? Publicado pela Rocco em 2026, O Homem Marcado prossegue com o sucesso da investigação policial e da tensão interpessoal, bem como com uma grande falha narrativa observada desde o primeiro livro.
O Homem Marcado, assim como seu antecessor O Chamado do Cuco, é o oitavo livro publicado da série de thrillers policiais de Robert Galbraith. Embora as obras de Galbraith permanecessem anônimas até que a autora fosse revelada como J.K. Rowling, a autora dos livros infantis Harry Potter, acredito que a série de thrillers continue sendo, em grande medida, um sucesso devido à habilidade de Galbraith em elaborar suas investigações interessantes e inteligentes. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito sobre algumas de suas narrativas confusas e menos agradáveis.
Poucos livros me fazem sentir tanta necessidade de retornar a eles e descobrir rapidamente o que acontece depois nos poucos minutos disponíveis entre leituras. Foi exatamente isso que aconteceu ao ler O Homem Marcado. A investigação policial envolvida na solução do mistério continua interessante e envolvente durante todo o livro, e a narrativa não parece desacelerar nem esgotar nosso anseio por informações adicionais sobre as vidas dos dois protagonistas. Esse fato, juntamente com nossa compreensão das profundezas da história dos personagens, torna-se uma das melhores características do livro para mim, e será especialmente valioso para aqueles que sabem pouco sobre o relacionamento entre o detetive Cormoran Strike e sua assistente, Robin Ellacott.
Em contraste, O Homem Marcado possui várias características negativas, muitas das quais, novamente, são atribuídas à natureza desorganizada da narração. Por ser o livro mais longo da série até agora, O Homem Marcado apresenta os mais personagens envolvidos, tanto aqueles diretamente conectados à investigação policial quanto aqueles apenas relacionados aos personagens principais. Ao longo da narração, os nomes dos personagens confundem-me a ponto de eu precisar voltar várias páginas para lembrar quem eram certos personagens, e as citações de seus discursos frequentemente são incompletas devido à troca de frases inteiras com outros personagens de nomes semelhantes. Essas características estragam um pouco a narrativa, mas não o cerne da investigação.
Como em todos os livros anteriores desta série, a principal característica negativa que percebo nesse livro é a representação da interação entre os personagens principais. Não gostaria que Strike e Robin não superassem suas dificuldades em relação ao amor um pelo outro ao longo de toda a série, e sinto que, com a exceção do primeiro livro, eles deveriam ter começado há muito tempo a resolver essa questão de longa data. No entanto, O Homem Marcado, assim como seus predecessores, continua a enfatizar os relacionamentos tóxicos e inflexíveis que os personagens principais têm um com o outro. Nesse sentido, O Homem Marcado tem o menor valor para mim como leitora, pois é a única coisa da série sobre a qual tenho menos expectativa do que desejo desesperadamente que mude.
Acredito que O Homem Marcado seja uma ótima leitura para aqueles que apreciam o gênero policial e considero um dos livros policiais mais fascinantes que li este ano, graças às habilidades de escrita incríveis de Galbraith. Os rumores e condenações contra J.K. Rowling podem afetar a percepção dos leitores sobre os escritos de Galbraith, mas não devem prejudicar nossa apreciação dos talentos deste autor fantástico. O Homem Marcado é, de modo geral, uma obra fantástica e impressionante, que me fez sentir a necessidade de reler todos os livros anteriores da série e acredita-me, há muito obrigatórios, para me preparar para as próximas aventuras dos detetives Cormoran Strike e Robin Ellacott.