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Com a esperança de mil inscritos, o Coletivo Corre Preto, promove atividades de corrida e caminhada de 3 km, gratuitamente, neste sábado, 11/10, às 8h, na Praça Coronel Pedro Osório. O evento é voltado para pessoas pretas e pardas.
09 de Out, 2025 • 7 mêss atrás
O Coletivo Corre Preto realiza, pela primeira vez em Pelotas, suas atividades. O encontro gratuito acontece a partir das 8h, na Praça Coronel Pedro Osório, em frente ao Theatro Sete de Abril. As inscrições podem ser realizadas por meio de formulário online.
O professor do Centro de Engenharias da UFPel, Gilson Porciúncula, que integra a organização do evento, explica como se deu a iniciativa de trazer o grupo para a cidade: "Foi o coletivo que nos chamou," destaca. A ideia partiu de um ex-aluno da UFPel que, participando das ações do coletivo na capital, articulou o contato com o professor — conhecido por ser atuante nos coletivos negros da universidade como a UFPreta e Proedai. A partir disso, Porciúncula reuniu integrantes de coletivos negros da UFPel praticantes de corrida para iniciar a colaboração com o Corre Preto.
Graças à articulação do grupo de Pelotas, o evento conta com um amplo apoio institucional com a Secretaria da Igualdade Racial, Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Secretaria Municipal de Trânsito, Secretaria do Esporte, Lazer e Juventude, Secretaria da Cultura e o Gabinete da Vice-Reitora da UFPel.
"Essas instituições estão nos dando apoio de estrutura e de logística para a gente desenvolver essa atividade." relata Porciúncula, mencionando também o suporte da empresa local Osirnet.
A divulgação nas redes sociais despertou um grande interesse na comunidade negra pelotense. "A gente tinha uma previsão de 250 e 300 pessoas para o evento, [mas] tivemos que trocar a estratégia. Então, a nossa previsão mudou de 300 para mil." explica o docente.
As ações ocorrem das 8h às 12h, iniciando com atividades culturais, seguidas pelo pré-aquecimento e pela saída dos pelotões de caminhada e corrida. As atrações culturais incluem a presença do DJ Paulista, Dj Nyack, e também uma roda de samba.

Com a realização do evento, Gilson Porciúncula ressalta a importância de a população negra ocupar todos os espaços sociais, a começar pelo esporte: "A gente vai (...) para inserir a população negra dentro desse esporte, que hoje, se tu verificar as maratonas, (...) a grande maioria são pessoas brancas que participam." ressalta.
O professor também destaca a relevância dos coletivos negros para a saúde e o pertencimento:
"Esses coletivos auxiliam na autoestima da população negra, com certeza! No caso do Corre Preto, para desenvolver atividade física, para cuidar da sua saúde e tal, que é muito necessário."
E acrescenta sobre a importância do engajamento em grupo:
"Isso, na verdade, é um aquilombamento das pessoas pretas para se manterem [unidas] dentro de uma estrutura racista. A gente está em todos os espaços e é isso que a gente procura. E os coletivos estão para isso, para a gente poder ocupar esse espaço com bastante dignidade e cada vez mais alcançar posições de liderança dentro desse espaço, independente seja de esporte, seja na ciência, seja na engenharia, seja na educação, no jornalismo, é importante a gente ocupar esse espaço," finaliza.

A administradora Luana Barbosa, que participa dos encontros em Porto Alegre desde outubro de 2024, descreve sua experiência:
"Quando eu vou, eu me sinto muito bem, me sinto acolhida, com meu povo. Uma sensação inexplicável. Eu fico esperando o mês todo por esse dia." afirma.
A expectativa para a estreia em Pelotas é alta e, conforme o professor Gilson, o coletivo planeja expandir suas atividades também para Florianópolis (SC) e Salvador (BA). Pelotas é, portanto, a primeira cidade a ser contemplada com as ações fora da capital gaúcha.

Criado em 2023, em Porto Alegre, o Coletivo Corre Preto busca utilizar a atividade física como ferramenta de transformação social. Além disso, visa criar espaços seguros que promovam o sentimento de pertencimento, acolhimento e afetividade entre a população negra, construindo o que o grupo denomina de aquilombamento.
Um dos principais objetivos é melhorar o acesso a atividades físicas e cuidados com a saúde. Dados alarmantes demonstram que pessoas negras morrem mais cedo devido a doenças crônicas como diabete e hipertensão, patologias que podem ser prevenidas com exercícios regulares e cuidado com a alimentação. Por isso, o grupo estimula essa prática a partir da corrida e caminhada.
Com a divulgação de suas atividades mensais nas redes sociais, o Coletivo já firmou parcerias com grandes marcas e alcançou edições com mais de 3 mil pessoas, como em novembro de 2024, e quase 2 mil em março de 2025, confirmando um grande sucesso dessa iniciativa que vai além de apenas praticar exercícios e sobre o acolhimento.
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