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Imagem de capa da notícia: Além do glamour: a rotina de quem desfila no Amazonas
NotíciaModa e estilo de vida
Divulgação

Além do glamour: a rotina de quem desfila no Amazonas

Enquanto a economia criativa avança e os eventos de moda se multiplicam na região, modelos constroem carreira em uma cena autoral em expansão

Foto de Jonathan Ferreira

Jonathan FerreiraJornalista verificado

Comunicação Social - Jornalismo, Faculdade Boas Novas

07 de Out, 2026

·

6 min de leitura

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Muito além do glamour, ser modelo exige dedicação e muito trabalho, e essa é uma realidade que vem ganhando novos contornos no Amazonas, onde a moda se consolida com eventos próprios e um mercado em expansão, acompanhando o crescimento da economia criativa na região nos últimos anos. Nesse cenário, nomes que constroem carreira na passarela ajudam a dar rosto a uma cena que se fortalece a cada edição de desfile. É o caso de Junior Oliveira, que chegou a Manaus em 2007 ainda menino, vindo de São Paulo. Cresceu na cidade e, anos depois, subiu pela primeira vez em uma passarela, e hoje, aos 28 anos, é um dos modelos que dão rosto à moda amazonense.
A entrada de Junior Oliveira na moda aconteceu por acaso, em 2020, quando foi demitido do emprego durante a pandemia e viu uma agência publicar um curso de modelo. Como sempre gostou de moda, resolveu tentar, e o curso deu certo: menos de dois meses depois, foi aprovado em um casting para a Vogue Brasil, uma das mais importantes revistas de moda do país. 
"Caí no mundo da moda de paraquedas. Fui demitido na pandemia, vi uma agência publicar um curso de modelo e pensei: 'Por que não?'. Comecei o curso, com menos de 2 meses a dona da agência me mandou para um casting e, no dia seguinte, recebi a aprovação. O trabalho era para a Vogue Brasil. Depois disso, nunca mais parei.”

Sobre a carreira, ele acumula seis anos de trabalho como modelo e já passou por desfiles e campanhas com marcas internacionais, nacionais e regionais, além de ter trabalhado com profissionais renomados da moda brasileira. "Fiz diversos desfiles, trabalhei com grandes marcas internacionais, nacionais e regionais e com grandes profissionais da moda brasileira, como Paulo Borges, fundador e diretor criativo da São Paulo Fashion Week, e Paulo Martinez, stylist renomado de São Paulo.”

Como é ser modelo?

A profissão de modelo, para Junior, está longe de ser apenas passar na passarela ou posar para fotos, e ele faz questão de ressaltar tudo o que existe por trás disso. 
"O trabalho de modelo vai muito além de simplesmente andar em uma passarela ou mostrar beleza. Existe muita dedicação, disciplina, preparação e profissionalismo por trás de cada trabalho. É preciso saber se comunicar com o corpo, interpretar uma proposta, entender o conceito de uma campanha e se adaptar a diferentes situações. Muitas vezes, o que o público vê são apenas alguns minutos na passarela ou uma foto pronta, mas, por trás disso, existem horas de preparação, ensaios, cuidados e muito trabalho. Ser modelo também é saber transmitir uma mensagem e dar vida àquilo que está sendo apresentado.”

Quando pisa na passarela, não está apenas desfilando, mas representando um pertencimento construído ao longo de mais de duas décadas, com traços que os produtores de moda associam à região que foram moldados pela convivência com o clima, a cultura e o povo amazonense. “Desfilar para mim é representar minha história. São mais de 20 anos vivendo essa realidade, e isso aparece na forma como eu caminho e me apresento.”

A moda indígena ocupa um lugar importante na cena autoral do Amazonas, e Junior vê nela um diferencial que poucas regiões têm. Ele já desfilou para marcas que, em sua maioria, são indígenas, e enxerga nessas criações uma conexão com a floresta e com técnicas ancestrais. Para o modelo, o que essas roupas carregam vai muito além da estética.

"Carregam histórias, carregam técnicas indígenas ancestrais, carregam horas e horas de preparo de fabricação e, o principal, sustentabilidade. Usar essas peças em desfiles e mostrar para as pessoas o que pode ser feito com esses materiais é gratificante demais". 

Economia criativa

O segmento de moda no Amazonas vem apresentando crescimento desde a pandemia, e os números ajudam a dimensionar esse movimento. Segundo estudo apresentado na Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), os vínculos empregatícios formais ligados à moda no estado passaram de 633, em 2019, para 772, em 2020, uma alta de 22% em um período em que a maioria dos segmentos criativos encolheu. Em Manaus, a economia criativa, que conta com a moda autoral, movimentou R$2,98 milhões de janeiro a julho de 2026, com 648 empreendedores ativos cadastrados, conforme a Secretaria Municipal de Trabalho, Empreendedorismo e Inovação (Semtepi).

Esse crescimento econômico se reflete diretamente na cena de desfiles de Manaus, que se consolidou nos últimos anos como espaço de visibilidade para a moda autoral e para os modelos que a representam. O Amazon Poranga Fashion chegou à quarta edição em 2026, reunindo diversas marcas autorais amazônicas. Além do Poranga, a cidade também tem outros eventos que movimentam o setor, como o Manauara Summer Spot, que em 2026 chegou à segunda edição com desfiles exclusivos de lojas e a participação de estilistas autorais amazônicos, e o Ponta Negra Fashion Summer, realizado em outubro, com coleções de mais de 26 lojas em uma narrativa inspirada na cultura amazônica e direção de moda do stylist Fernando Salignac.

"Desfilo para o Amazon Poranga Fashion desde a sua primeira edição em 2023. Ainda na primeira edição, o evento mostrou seu potencial e o que a região Norte tinha para oferecer na questão de Moda Autoral. Desde então, o Poranga nunca mais parou de crescer e se tornou um evento muito esperado na capital amazonense. E foi graças ao Poranga, ainda na primeira edição, que ganhei mais visibilidade como modelo em 2023, recebendo propostas de trabalho com marcas grandes de Manaus."

Com relação à experiência de circular por eventos com propostas tão diferentes, Junior ressalta a importância de existirem espaços diversos dentro da moda em Manaus, que contribuem para o crescimento de quem trabalha no setor e para a consolidação do mercado local. 

"Eventos como esse colocam luz no que fazemos de melhor: lançar a moda verão na nossa região Norte com uma autenticidade incomparável, provando que Manaus é um celeiro de estilo e que a nossa estação mais quente merece os maiores e melhores palcos da moda nacional."

Palavras-chave

# moda# modelo# Manaus# Amazonas

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