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Oliver Bearman sofreu uma força de impacto de 50G após ser arremessado contra o muro no GP do Japão.
31 de Mar, 2026 • 3 dias atrás
A temporada de 2026 da Fórmula 1 já havia iniciado de forma conturbada, com poucas equipes conseguindo extrair o máximo do novo regulamento. Diversos pilotos, descontentes com as mudanças, já haviam apontado falhas e problemas que poderiam acontecer durante as corridas. Mas a opinião de quem entra no carro e arrisca a vida na pista não parecia importar muito. Piadas online passaram a acompanhar os pilotos que reclamaram do regulamento, que foram acusados de “reclamar apenas por não terem um carro competitivo”.
Mas, durante a corrida do dia 29 de março, em Suzuka, ficou comprovado que eles estavam certos em se preocupar com a situação.
Com um motor híbrido e metade da potência vindo da parte elétrica, quando a bateria descarrega, o carro perde até metade da sua velocidade. E foi exatamente isso que causou o acidente de Bearman. Ele corria a uma velocidade de 262 km/h e, à sua frente, estava o piloto da Alpine, Franco Colapinto, sem bateria e esperando recarregá-la enquanto fazia o superclipping, ou seja, pisando fundo no acelerador enquanto a energia era recarregada. Entre os dois, havia uma diferença de cerca de 100 km/h.
Para evitar colidir diretamente com a traseira da Alpine e causar um acidente ainda pior, Bearman jogou o carro para fora da pista, mas acabou perdendo o controle e sendo arremessado contra a barreira de proteção, recebendo um impacto de 50G em seu corpo.
Bearman saiu do carro mancando e sofreu uma contusão no joelho, sem fraturas, e já está em casa se recuperando.
Em entrevista, Colapinto comentou sobre o incidente:
"O grande problema é a diferença de velocidade, é muito grande. Ele provavelmente estava uns 50 km/h mais rápido do que eu. Quando eu vi, ele já estava na grama. A questão é que parece literalmente volta de aquecimento contra volta rápida. É muito difícil correr assim, fica bem perigoso. Fico feliz que ele esteja bem, eu vi ele andando, fico feliz que esteja tudo certo."
A FIA confirmou que a batida não foi culpa de Colapinto, e o próprio chefe de equipe da Haas, Ayao Komatsu, afirmou que o argentino não fez nada de diferente do que já havia feito na volta anterior, e que a responsabilidade foi do regulamento. Komatsu também disse que Bearman é muito duro consigo mesmo e que está se culpando pelo acidente:
"Ele está muito, muito decepcionado consigo mesmo [...] E isso é uma coisa boa no Ollie, se for ver. Ele não está dando desculpas, ele realmente está se cobrando muito. Então eu disse: ‘Olha, você já fez corridas incríveis, trouxe 17 pontos pra gente em dois fins de semana. Então, ok, o acidente de hoje nos custou pontos, mas, como dizem, a gente ganha e perde junto’. E eu falei: ‘Você fez muita coisa boa. Sim, hoje não foi bem, mas não adianta ficar se culpando, a gente precisa seguir em frente’. E ele respondeu: ‘Sim, mas não tem desculpa, isso foi uma diferença de velocidade’ [...] Claro, ele está se culpando, dizendo ‘Eu poderia ter feito melhor, sem desculpas’. Mas, olhando bem, essa diferença de 50 km/h na velocidade de aproximação é enorme."
Lando Norris já havia feito um alerta durante o GP da Austrália sobre como as grandes diferenças de velocidade poderiam causar acidentes graves:
"Dependendo do que for feito (numa disputa de posição), podem surgir diferenças de velocidade de 30, 40 ou até 50 km/h. Se um incidente ocorrer entre dois pilotos com essa diferença, um deles pode acabar sendo lançado para o ar, passando por cima da cerca de proteção, e pode se machucar seriamente, e talvez machucar outras pessoas também. É algo assustador e horrível de se pensar."
Fernando Alonso também comentou sobre o assunto no início do fim de semana do GP do Japão, antes do acidente acontecer:
"Ultrapassar hoje em dia é acidental. De repente você se encontra com mais bateria do que o carro à frente, e ou você bate nele ou ultrapassa."
Após a corrida, a FIA compartilhou uma declaração oficial em suas redes sociais sobre o problema explícito do novo regulamento:
Desde a sua introdução, os regulamentos de 2026 têm sido objeto de discussões contínuas entre a FIA, equipes, fabricantes de unidades de potência, pilotos e a FOM. Por design, esses regulamentos incluem uma série de parâmetros ajustáveis, particularmente em relação à gestão de energia, que permitem a otimização com base em dados do mundo real.
Tem sido a posição consistente de todas as partes interessadas que uma revisão estruturada ocorreria após a fase de abertura da temporada. Uma série de reuniões está, portanto, agendada para abril, a fim de avaliar o funcionamento dos novos regulamentos e determinar se algum refinamento é necessário.
Quaisquer ajustes potenciais, particularmente aqueles relacionados ao gerenciamento de energia, exigem uma simulação cuidadosa e uma análise detalhada. A FIA continuará a trabalhar em colaboração estreita e construtiva com todas as partes interessadas para garantir o melhor resultado possível para o esporte, tendo a segurança sempre como elemento central de sua missão. Nesta fase, qualquer especulação sobre a natureza de possíveis mudanças seria prematura. Outras atualizações serão comunicadas no devido tempo.
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